Just Breathe Words
Quinze primaveras muito bem vividas, muitas histórias pra contar. Outubro do ano de dois mil e dez, foi decidido que eu faria um Tumblr. Descobri um novo mundo, um mundo no qual eu poderia compartilhar meus pensamentos e meus sentimentos. O meu querido diário sem cadeado, o meu refúgio. Aqui exponho uma grande parte do meu ser, a melhor parte. e
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Fred: Whazuuup!
Matt: Para de causar, vão achar que tu não tá mal coisa nenhuma.
Fred: Mas eu não to.
Matt: Eu sei, Fred!
Fred: A tia me deu uma droga muito louca lá. Vou apresentar doidão.
Matt: Tu disse pra ela que tinha o que?
Fred: Disse que eu tava doente de amor.
Silêncio.
Fred: Nem preciso dizer que ela mandou a gente subir, né?
Caralho, o Fred só fode. Enquanto a gente subia empurrados por umas três tias que foram avisadas que a gente tava matando aula, eu tentava pensar em alguma coisa.
Matt: Já tá no final da aula, acho que só falta a gente pra apresentar. Vamos ter que chegar lá e falar alguma coisa lá na frente, não importa o que seja.
Fred: Vamos falar sobre o cultivo da maconha. A professora vai curtir.
Eu tinha me esquecido que a professora era maluca. Nem por isso eu ia falar do cultivo da maconha lá na frente, mas podia fazer uma apresentação mais de boa por ser ela.
Eu: Fred, que livro tu já leu?
Fred: Só leio história em quadrinho.
Eu: Serve.
Fred: Eu curto o Snoopy.
Eu: O Snoopy não serve, mano. Ele nem fala.
Fred: Fala sim. As falas dele são em pensamento, tipo o Garfield.
Eu: Tá, foda-se.
Fred: Não fala assim do Snoopy, mano. Faz assim, o Thommo é o Charlie Brown porque ele odeia tudo, eu sou o Snoopy e o Matt é o Woodstock por causa do cabelinho. - ele bagunçou o cabelo do Matt.
Matt: Cala a boca, Fred!
A gente já tava na porta da sala, e nada saía da cabeça de ninguém. A gente precisava fumar uns 10 becks pra ficar mais criativo, mas não dava pra fazer isso no corredor da sala com três tias olhando pra gente.
Eu: Fodeu.
Matt: Tamo fodido.
O Vinão abriu a porta da sala, provavelmente pra ir no banheiro. Assim que viu a gente, gritou pra professora.
Vinão: O grupo que tava faltando chegou, professora!
Gordo escroto filho duma puta. Te quebro a cara um dia.
O Matt ficou branco e suando frio no mesmo segundo. Fiquei nervoso só de olhar pra ele. O Fred fez uma cara de ódio pro Vinão, e depois entrou na sala.
Fred: Professora, acho que to passando meio mal ainda. Podemos apresentar um outro dia?
Silvia: O que tu tem?
Fred: Estou doente de am…
Eu: O Fred tá com pressão baixa.
Pelo amor de Deus.
Silvia: O Matheus e o Thomaz não podem apresentar sem ti?
Com certeza não. O Fred é o nosso apresentador oficial, e ponto. Nunca vi uma coisa daquelas. Se tu mandasse o Fred subir no teto da escola e mandar o diretor tomar no cu, ele fazia, só pra rir depois. Nunca vi o Fred ficar vermelho de vergonha nessa vida, acho que ele nem sabe o que é isso.
Matt: Não.
Eu: O Fred é o principal no nosso trabalho.
Silvia: Hm. Qual o livro de vocês?
Eu: Ahn…
Matt: Er…
Fred: Crepúsculo.
QUE?!
Eu: Ele tá brincando, professora. - olhei pra ele, querendo mata-lo.
Matt: É Laranja Mecânica, professora.
Silvia: É mesmo? Que interessante, meninos! Dá pra abordar muita coisa!
Com certeza, professora. Só não sei o que.
Silvia: Dá pra abordar muitos temas ligados a ultraviolência, o problema da ressocialização penal, doenças neurológicas… O Alex é um belo psicopata, vocês não acham?
O Fred entortou a cara toda só de ouvir aquelas palavras difíceis da professora.
Eu: É, então…
Fred: Oh, meu Deus. - ele começou a mexer as mãos.
Silvia: Tudo bem, Fred??
Fred: Tá tudo ficando preto! Acho que vou desmaiar.
Tava na cara que era tudo fingimento, mas participei do teatro.
Eu: Nossa! Professora, a gente precisa descer pra pegar sal pra ele, tá com pressão baixa!
O Matt ficou todo nervoso. Pegou o braço do Fred e passou em volta do pescoço, e foi saindo com ele da sala. Todo mundo olhava pro Fred, aflito.
Fred: Thomaz, quando eu morrer, quero ser enterrado com meu CD dos Sex Pistols! - ele gritou, enquanto saía da sala carregado pelo Matt.
A professora ficou boquiaberta.
(pqogspn - cap34)

Estou me confundindo, estou me dispersando. O guardanapo, a frase, a mancha, o medo - isso deve vir mais tarde. Todas essas coisas de que falo agora - as particularidades dos dragões, a banalidade das pessoas como eu -, só descobri depois. Aos poucos, na ausência dele, enquanto tentava compreendê-lo. Cada vez menos para que minha compreensão fosse sedutora a ponto de convencê-lo a voltar, e cada vez mais para que essa compreensão ajudasse a mim mesmo a. Não sei dizer. Quando penso desse jeito, enumero proposições como: a ser uma pessoa menos banal, a ser mais forte, mais seguro, mais sereno, mais feliz, a navegar com um mínimo de dor. Essas coisas todas que decidimos fazer ou nos tornar quando algo que supúnhamos grande acaba, e não há nada a ser feito a não ser continuar vivendo.
Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada.
(OS DRAGÕES NÃO CONHECEM O PARAÍSO, Caio Fernando Abreu)

Isso me pareceu grandiloqüente e sábio como uma idéia que não fosse minha, tão estúpidos costumam ser meus pensamentos. E tomei nota rapidamente no guardanapo do bar onde estava. Escrevi também mais alguma coisa que ficou manchada pelo café. Até hoje não consigo decifrá-la. Ou tenho medo da minha - felizmente indecifrável - lucidez daquele dia.
(Os Dragões Não Conhecem O Paraíso, Caio Fernando Abreu)
Sem Ana, Blue
Quando Ana me deixou, eu fiquei muito tempo parado na sala do apartamento, cerca de oito horas da noite, com o bilhete dela nas mãos. No horário de verão, pela janela aberta da sala, à luz das oito horas da noite podiam-se ainda ver uns restos dourados e vermelho deixados pelo sol atrás dos edifícios, nos lados de Pinheiros. Eu fiquei muito tempo parado no meio da sala do apartamento, o último bilhete de Ana nas mãos, olhando pela janela os dourados e o vermelho do céu. E lembro que pensei agora o telefone vai tocar, e o telefone não tocou, e depois de algum tempo em que o telefone não tocou, e podia ser Lucinha da agência ou Paulo do cineclube ou Nelson de Paris ou minha mãe do Sul, convidando para jantar, para cheirar pó, para ver Nastassia Kinski nua, pergunrando que tempo fazia ou qualquer coisa assim, então pensei agora a campainha vai tocar. Podia ser o porteiro entregando alguma dessas criancinhas meio monstros de edifício, que adoram apertar as campainhas alheias, depois sair correndo. Ou simples engano, podia ser. Mas a campainha também não tocou, e eu continuei por muito tempo sem salvação parado ali no centro da sala que começava a ficar azulada pela noite, feito o interior de um aquário, o bilhete de Ana nas mãos, sem fazer absolutamente nada além de respirar. (Sem Ana, Blue - Caio F)
Sem Ana, Blue
Quando Ana me deixou - essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos - e depois que Ana me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ana me deixou - e essa não-continuação era a única espécie de não continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana, embora eu pudesse preenchê-lo - esse espaço branco sem Ana - de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Ana dentro dela.
(Trecho de: Sem Ana, Blue - Caio Fernando Abreu)
“Embora estivessem no mesmo barco, as maneiras de remar podiam perfeitamente ser diferentes. — (CFA)

”Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direta e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem…
E caem! — Folhas misérrimas do meu cipreste, heis de cair, como quaisquer outras belas e vistosas; e, se eu tivesse olhos, dar-vos-ia uma lágrima de saudade. Esta é a grande vantagem da morte, que, se não deixa boca para rir, também não deixa olhos para chorar… Heis de cair.”
(ASSIS, Machado - Memórias Póstumas de Brás Cubas)

Mas se eu pintar um horizonte infinito, e caminhar do jeito que eu acredito, eu vou chegar em um lugar só meu. (Lá)

É melhor falar demais do que nunca dizer o que você precisa dizer de novo. (Say)
“Não quero ajuda de ninguém, sou uma filha da puta orgulhosa que não sabe pedir colo, quero que adivinhem. —
Clarissa Corrêa (via
pseudoencanto)

E tudo vai indo bem, venço o cansaço e o medo do futuro. No teu abraço é que encontro a cura do mal, hoje eu acordei te quis por perto. E você não sai do meu pensamento, e eu me questiono aqui se isso é normal.
“A gente canta a tragédia bem alto, que é pra ela ir pra bem longe de nós e nunca mais voltar. — Lucas Silveira, Fresno.

Se me perguntarem qual foi a pessoa que fez a coisa mais bonita pra mim ou por mim, eu irei dizer com toda certeza que foi a Larissa, pois em um momento em que eu estava triste, mas muito triste mesmo, ela me ajudou e dedicou pra mim uma música maravilhosa, uma música perfeita que apesar de ser algo que me faz chorar é também o que me faz sorrir. Tem pessoas que dizem que amizade de internet não leva ninguém a lugar nenhum, dizem que nem vale a pena ter, mas, eu digo que essas pessoas estão enganadas, pois foi por aqui, pela web que eu conheci uma gatinha que quero levar comigo por toda a vida. Mesmo eu só tendo te visto uma vez na vida, parece que você está comigo todos os dias, cuidando de mim enquanto eu cuido de você. “Look at the stars, look how they shine for you, and all the things that you do.” Nunca se esqueça o quanto eu te amo e o quanto eu torço pelo seu bem. Minha Lala, minha Kiki ♥
De (possiveisplanos) para (justbreathew)
“Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai.
Mas deixe a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar. —
Vinícius de Moraes (via
pseudoencanto)
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